Do Revolution/Revolución, voz do Partido Comunista Revolucionário, EUA (em inglês a 9 de março de 2026 e em castelhano a 11 de março de 2026)
A guerra dos EUA e Israel contra o Irão:
Um massivo crime perpetrado por um sistema totalmente criminoso
Enormes bombas e mísseis dos EUA e Israel têm vindo a espalhar a morte, a destruição e o terror sobre o povo do Irão há já 10 dias, sem um fim à vista.
O primeiro ataque, na manhã de 28 de fevereiro, foi levado a cabo por Israel com base em informações fornecidas pelos EUA. Atingiu o complexo da cúpula dirigente do Irão, matando o chefe de estado, aiatola Ali Khamenei, e outros altos funcionários.
Oficiais militares dos EUA gabaram-se de não atacarem civis. Isto são mentiras. O Irão informou que cerca de 3600 locais civis foram atingidos pelos EUA e Israel. Os hospitais estão a ser bombardeados e nenhum lugar é seguro. Catorze centros médicos foram bombardeados.
O magnífico Palácio de Golestan, que data de 1404 e é património da UNESCO, foi bombardeado. O famoso Complexo do Estádio Azadi, que albergou vários eventos, desde torneios de futebol a um concerto de Frank Sinatra, também foi bombardeado. Segundo a Al Jazeera, o Irão disse a semana passada que “um ataque separado a outro centro desportivo matou 18 crianças quando elas estavam a jogar voleibol.”1
Segundo o Crescente Vermelho Iraniano, o número de mortes ascende agora a mais de 1332 pessoas, 30% das quais crianças.
E está a caminho um inferno ainda maior. O fascista Trump “prometeu continuar a guerra durante pelo menos mais um mês e não descartou o uso de tropas terrestres norte-americanas.” E funcionários dos EUA disseram que o Pentágono está a deslocar ainda mais soldados e aviões de combate para a região. Trump está agora a rejeitar negociações para acabar com o massacre e a exigir uma rendição incondicional.2
Um gigantesco crime de guerra dos EUA e Israel baseado em mentiras descaradas
Trump afirmou que o Irão representava uma ameaça imediata de ataque aos EUA. Na realidade, o Irão não tem armas nucleares nem mísseis que possam chegar aos EUA, e não há nenhuma evidência de que estivesse a planear atacar os EUA. Assim sendo, a alegação de que o Irão representava uma ameaça imediata para os EUA é uma mentira descarada.
Na realidade, quando os EUA e Israel atacaram, o Irão estava a meio de negociações, pacíficas, com os EUA. Após o início da guerra, o jornal New York Times revelou que, ao mesmo tempo, os EUA e Israel estavam a discutir e a planear um ataque contra o Irão, desde dezembro, meses antes na realidade. Por outras palavras, a alegação de que os EUA de repente tinham percebido que o Irão estava prestes a atacar e que se tinham de proteger é um total disparate.
O regime de Trump nunca apresentou nenhuma evidência de que o Irão se estava a preparar para atacar preventivamente os EUA (ou sequer as suas bases no Médio Oriente). Mas tem andado a inventar uma mentira ou justificação após outra para a sua guerra preventiva: que era uma guerra para mudar o regime, ou uma guerra para eliminar os mísseis do Irão ou o seu programa de enriquecimento nuclear.3 (Ver uma cronologia detalhada das sempre diferentes mentiras e justificações do regime fascista de Trump no jornal The Guardian, As sempre diferentes justificações de Trump para a guerra contra o Irão — como a história foi mudando, 7 de março de 2026.)
A maior mentira de todas, que até Trump parece ter abandonado (pelo menos por agora) é a de que os EUA queriam ajudar o povo iraniano a se livrar do seu regime repressivo. Que fique claro, o regime iraniano é um regime desapiedado e altamente repressivo, um facto que temos denunciado semana após semana desde que chegou ao poder há mais de 45 anos. Aqueles que se revoltam contra ele devem ser apoiados.
O ataque do imperialismo dos EUA e Israel começou hoje, 28 de fevereiro
É a vossa vez!
Aqui, vale a pena destacar que muitos dos mais acérrimos opositores ao regime dentro do Irão, incluindo o Partido Comunista do Irão (Marxista-Leninista-Maoista), bem como muitos outros, não só se opõem ao regime, como também se opõem ferozmente à guerra dos EUA e Israel contra o regime. Mas, ainda mais fundamental, como assinalámos num importante artigo, é o seguinte ponto crucial:
Toda a história e o papel atual do imperialismo dos EUA em relação ao Irão têm sido em oposição fundamental aos interesses fundamentais do povo iraniano, e que tem sido responsável pelo horrendo sofrimento que lhe tem sido infligido. Um importante fator que permitiu a ascensão ao poder do regime islâmico reacionário no Irão foi o papel do imperialismo dos EUA no derrube do governo popular (e não fundamentalista islâmico) de Mossadegh no Irão em 1953, instalando em lugar dele o sangrento regime do Xá e apoiando-o totalmente durante décadas (um regime que, juntamente com a sua contínua e brutal repressão e tortura, não por acaso também massacrou milhares de iranianos que se levantaram contra ele, na revolução iraniana de finais da década de 1970). Nada de bom pode vir das ações dos EUA, em conjunto com Israel, e daqueles que, como o filho do Xá, atuam como agentes dessas forças sanguinárias.
Pelo que não, as razões que têm sido dadas NÃO são as verdadeiras razões.
A verdadeira razão pela qual Trump está a massacrar pessoas e a arriscar uma guerra nuclear global
A verdadeira razão é que o Irão é um país importante com quase 100 milhões de pessoas, situado no centro de uma região que é crucial para o comércio mundial e a produção energética. Além disso, essa região alberga mais de 500 milhões de pessoas. Nos últimos anos, o Irão tem-se aproximado cada vez mais da Rússia e da China, os principais rivais imperialistas dos EUA no mundo. Nos últimos anos, o Irão foi enfraquecido pelos ataques militares de Israel contra os seus aliados em Gaza e no Líbano (ataques que contaram com o apoio total dos EUA) e pela guerra dos EUA e Israel contra o Irão em junho passado. Em janeiro, enormes manifestações populares sacudiram o país e só foram reprimidas com o assassinato de milhares de pessoas.
Os EUA e Israel pensaram que poderiam usar a relativa debilidade do Irão neste momento para o tentarem “matar”, pelo que arriscaram. E é precisamente apenas isso: uma enorme aposta com muito em jogo, incluindo a real possibilidade de uma guerra nuclear entre as potências imperialistas e, muito possivelmente, a extinção da humanidade. Se não houvesse nenhuma outra razão para fazer uma revolução e criar um mundo inteiramente novo sem a exploração e a opressão que impulsionam esta loucura — e, na realidade, existem muitas razões para fazer essa revolução —, isto por si só seria motivo suficiente.
Citando o líder e pensador revolucionário, e arquiteto do novo comunismo, Bob Avakian:
Nós, as pessoas do mundo, já não podemos mais permitir que estes imperialistas continuem a dominar o mundo e a determinar o destino da humanidade. É necessário derrubá-los tão rápido quanto possível. E é um facto científico que não temos de viver desta maneira.
O que diz sobre este sistema o facto de nenhum dos dois grandes partidos políticos dos EUA condenar os crimes de guerra e os crimes contra a humanidade?
Os Democratas fizeram um escândalo com o facto de Trump não ter pedido autorização ao Congresso antes de declarar a guerra contra o Irão. Os Democratas também criticaram Trump por “desperdiçar o dinheiro dos contribuintes”, por colocar em perigo as tropas dos EUA, por não ter “nenhum plano” para o Irão e mesmo por ter abandonado a promessa dele de “reduzir os custos para os norte-americanos”.
Então, uma vez mais, interroguem-se: num momento em que mais de 1300 civis iranianos já foram assassinados em apenas uma semana, o que nos diz o facto de nenhum Democrata de peso ter condenado o ataque dos EUA ao Irão pelo que ele realmente é: um crime de guerra e um crime contra a humanidade?
E isto ainda vai ficar pior. Alguns Democratas que criticaram a guerra por ser “ilegal” continuam dispostos a aprovar mais 50 mil milhões de dólares para a guerra contra o Irão! “Preciso de conhecer os objetivos e o plano”, disse a ex-analista da CIA e atual congressista Democrata Elissa Slotkin. “Não descarto nada... Quero dizer, estamos [em guerra]”.
A questão aqui é, uma vez mais: qual a razão pela qual os Democratas não se opõem a uma guerra escandalosamente injusta e não provocada, um crime contra a humanidade, com possíveis consequências graves para toda a humanidade? Porque a finalidade impulsionadora do Partido Democrata como instituição é “servir e proteger” este sistema capitalista-imperialista e a posição dominante dos EUA dentro deste sistema mundial de exploração e horror. Sim, eles têm diferenças com os seus rivais fascistas sobre COMO fazer isso — por vezes, diferenças bastante amargas —, mas o seu cálculo, o seu critério final, é, uma vez mais, o que serve a dominação dos EUA sobre o sistema capitalista-imperialista mundial. E as diferenças deles com os Republifascistas giram em torno disso.
Quem é o maior estado patrocinador do terrorismo no Médio Oriente?
O regime de Trump denunciou o Irão como o principal estado patrocinador do terrorismo no Médio Oriente e no mundo. Recentemente, a Câmara de Representantes dominada pelos Republicanos aprovou por esmagadora maioria um projeto de lei que apelida a República Islâmica do Irão como “maior estado patrocinador do terrorismo no mundo”. A votação foi de 372 contra 53, com o apoio da esmagadora maioria dos Democratas.4
Os principais Democratas do Senado concordam:
Os Democratas estão profundamente preocupados com o que ocorrerá a seguir no Irão, com a duração dos ataques e com as maneiras como a administração Trump ignorou a aprovação constitucionalmente obrigatória do Congresso. No entanto, em relação à substância da ação em si mesma — como assassinar o líder supremo do Irão e eliminar a capacidade do regime de consolidar um programa nuclear —, há apoio ao resultado. (...) “Há muito tempo que venho a afirmar que o regime da Revolução Islâmica no Irão é um regime terrorista. Nem por um segundo tenho qualquer pesar pelo falecimento do aiatola e tenho uma verdadeira esperança perante a perspetiva de que haverá um regime diferente ou novo”, declarou o senador Chris Coons, Democrata do Delaware, ao canal televisivo MS NOW na terça-feira. [Ênfase acrescentado]
Antes de responder a isto, vale a pena referir que uma importante figura “liberal” do Partido Democrata acaba de aprovar o assassinato do chefe de um estado soberano. Sim, a República Islâmica do Irão é uma teocracia reacionária, extremamente repressora e opressora, que tem usado o terror como arma em todo o Médio Oriente e no próprio Irão.
Mas o maior terrorista? O país que de longe propagou o mais depravado e vil terror em toda a região? Sem dúvida que a “façanha” corresponde a Israel. Israel, que foi fundado sobre o terror da Nakba de 1948, que expulsou mais de 750 000 palestinos da sua pátria ancestral. Israel, que aterrorizou os mais de cinco milhões de palestinos que vivem em Gaza e na Cisjordânia durante cerca de 59 anos. Israel, que continua a perpetrar um depravado genocídio ao estilo nazi em Gaza. Israel, que espalhou o terror por toda a região durante anos, no Líbano, na Síria, no Iraque, no Irão, no Iémen e noutros lugares.

“Não à guerra dos EUA e Israel contra o Irão!”
e “Apoiemos a justa luta do povo iraniano!”
NÃO À GUERRA DOS EUA E ISRAEL CONTRA O IRÃO!
7 pontos do Corpo Revcom para a Emancipação da Humanidade
Neste momento, Israel desencadeou uma guerra de terror e morte contra o povo do Líbano, ao mesmo tempo que continua a bombardear o Irão. A 2 de março, Israel desencadeou um pré-planeado bombardeamento em massa no sul de Beirute e noutras áreas consideradas simpatizantes do Hezbollah, um aliado do Irão.5 No sul do Líbano e no Vale de Bekaa, Israel exigiu que os moradores evacuassem as suas casas e se dirigissem para norte do rio Litani, a 29 km da fronteira com Israel. Milhões de libaneses estão a fugir das suas casas em terror. Famílias inteiras foram forçadas a recolher os seus pertences e os seus familiares e fugir para longe dos subúrbios sob ataque, muitas vezes sendo obrigadas a se refugiarem na rua.
As autoridades libanesas informaram que pelo menos 400 pessoas já foram assassinadas, incluindo crianças, outras 683 ficaram feridas e cerca de 517 000 foram deslocadas das suas casas, até ao momento.
E os líderes israelitas gabam-se de estarem a aterrorizar as populações e a cometer um genocídio: o ministro fascista das finanças de Israel, Bezalel Smotrich, elogiou a nova guerra de Israel no Líbano e ameaçou reduzir os subúrbios do sul de Beirute a escombros, como Israel fez em Khan Younis, Gaza.6
Desde a sua fundação, o estado de Israel serviu como importante e crucial instrumento da dominação norte-americana do Médio Oriente contra outras potências imperialistas, bem como contra os movimentos anti-imperialistas na região. Este estado é o mais próximo aliado dos EUA no Médio Oriente, tanto sob a liderança dos Democratas como dos Republicanos. Este é o estado terrorista com que os EUA estão a levar a cabo a guerra contra o Irão para reconfigurarem violentamente todo o Médio Oriente e imporem o seu total domínio imperialista.
O que é urgentemente necessário agora
O povo iraniano precisa urgentemente de se libertar da brutal, e muitas vezes assassina, opressão da República Islâmica. Mas isso não pode acontecer através das bombas e mísseis dos EUA e de Israel. Só pode ser conseguida através das ações heroicas de milhões de iranianos com o objetivo de romper os grilhões do imperialismo, em última instância, como parte da emancipação da humanidade. Portanto, é crucial que apoiemos ESTA luta e que não sejamos manipulados por nenhuma potência opressora.
O foco agora, para as pessoas nos EUA, tem de ser oporem-se resolutamente aos “nossos” próprios governantes e aos massivos crimes de guerra que eles estão a cometer no Irão, juntamente com os seus capangas israelitas. É isto o que temos diante de nós — e cada indivíduo e cada grupo deve ser avaliado pelo que estão a fazer para que esta oposição seja massiva, determinada e visível.
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NOTAS:
1 Segundo o Crescente Vermelho Iraniano [equivalente à Cruz Vermelha], 3646 edifícios residenciais foram danificados, 14 instalações médicas foram afetadas e três hospitais ficaram inoperacionais desde o início da guerra. As autoridades iranianas e vários especialistas das Nações Unidas também condenaram os ataques contra civis.
2 O Político informou que o Comando Central dos EUA solicitou ao Pentágono que enviasse mais oficiais de inteligência militar para a sua sede na Florida para apoiarem as operações contra o Irão durante pelo menos 100 dias — e provavelmente até o fim de setembro.
3 O Irão tem direito a enriquecer urânio para fins pacíficos no âmbito do Tratado de Não-Proliferação Nuclear; nunca houve provas conclusivas de que o Irão tenha sequer tentado construir uma arma nuclear.
4 Cinquenta e três Democratas da Câmara de Representantes votaram contra, mas principalmente porque consideraram que esta resolução em particular era uma manobra Republicana para justificar o ataque de Trump contra o Irão: “‘Eu fui clara quanto à minha oposição às brutais e devastadoras ações do regime iraniano contra aqueles que protestam pela liberdade’, continuou [a Representante Democrata da Califórnia, Lateefah] Simon. ‘Esta resolução nada faz para promover a sua liberdade e, em vez disso, regista o Congresso como dando à Administração um pretexto adicional para uma guerra que nem sequer deveria ter sido iniciada.’”
5 O Hezbollah é um partido político do Líbano, que também tem uma poderosa ala militar. Foi fundado na década de 1980 com a ajuda do Irão e a sua base principal são as comunidades muçulmanas xiitas do Líbano. Desde então, o Irão continuou a financiar e a ajudar a armar o grupo.
6 O renovado ataque de Israel contra o Líbano resultou em 123 mortos e centenas de milhares de deslocados, Democracy Now!, 6 de março de 2026.