Do sítio do Revolution/Revolución, voz do Partido Comunista Revolucionário, EUA (a 10 de novembro de 2025 em inglês e a 12 de novembro de 2025 em castelhano)
Notas de reportagem de Washington, DC:
O urgente e inspirador início do “Fora Trump JÁ!”
Nota da redação do Revolution/Revolución: O revcom.us enviou uma equipa de repórteres e funcionários para Washington, DC (Distrito de Colúmbia), para cobrir o lançamento do “Trump tem de ir embora, JÁ! O início da queda do regime fascista de Trump”, iniciado pela organização RefuseFascism.org (Recusar o Fascismo) em conjunto com mais de 30 outras organizações. Apresentamos aqui algumas das experiências e lições deles durante os três primeiros dias desta luta para expulsar o regime fascista.
5 de novembro:
Lançamento do “Fora Trump JÁ!” na própria sede do poder
Enquanto caminhava da estação ferroviária para o comício da Recusar o Fascismo na Esplanada Nacional (National Mall) em Washington, DC, pensei na enormidade do que estava em jogo nesse dia. Como têm vindo a salientar o líder revolucionário Bob Avakian e a organização Recusar o Fascismo (em que participam pessoas com diferentes perspetivas), o que está em jogo para a humanidade é extremamente importante. A janela tem vindo a fechar-se, mas ainda é possível expulsar o regime fascista de Trump que ameaça o planeta, caso as pessoas se coloquem à altura do desafio. Milhares de pessoas devem crescer até aos milhões numa massiva luta não-violenta, recusando-se a ceder ou a recuar até que Trump seja afastado do poder.
Hoje teve início essa batalha política. Quem irá participar? Que tipos de unidade, determinação e espírito se irão manifestar? E iremos nós emergir ao fim do dia com a força, o potencial e o ímpeto para rapidamente darmos os passos necessários?
Os participantes
Antes mesmo de chegar ao local do comício, conheci pessoas de Boston, da Carolina do Norte e de Fresno, na Califórnia, cujos cartazes, chapéus ou camisetas deixavam claro que estavam a caminho do mesmo lugar que eu. Ernie veio sozinho de avião desde Fresno. Porquê? “Bem, a questão das ajudas SNAP foi a gota de água... quando começam a matar as pessoas à fome e a usá-las como alavancagem, isso é ir longe demais. Temos de manter a pressão... não podemos aligeirá-la...”
O Teatro Sylvan, onde iria decorrer o comício, é um grande palco e anfiteatro ao ar livre, a cerca de duzentos metros do monumento a Washington ao final de uma colina relvada e suavemente inclinada. Segundo o Serviço Nacional de Parques, é um local histórico, “um espaço público de encontro para a música, o teatro e manifestações relacionadas com a primeira emenda desde há mais de 100 anos”. Como iria dizer Sunsara Taylor no discurso dela: “Não viemos aqui para fazer uma declaração, viemos aqui para fazer história!”
Enquanto caminhava ao longo da passadeira curva frente ao palco, cerca de uma hora antes do início da ação, e depois durante todo o dia, conheci pessoas de Berkeley, Seattle, Kansas, Idaho, de três cidades diferentes na Carolina do Norte, de Washington, DC, dos vizinhos estados de Maryland e Virgínia, de Connecticut, Boston e Pensilvânia, bem como de Itália e da Alemanha.
Três mulheres vieram juntas do nordeste do Ohio. Duas mulheres vieram de avião de Butte, Montana. Porque vieram? “O que está mal? Tudo.” Fazem parte da Recusar o Fascismo? “Bem, já que viemos aqui, então suponho que sim!”
As pessoas pareciam descontraídas, felizes por estarem entre outras pessoas decentes e solidárias, até alegres. Ao mesmo tempo, o ambiente era sério, e eu ouvi muita indignação apaixonada e sentida perante a escalada dos ataques do regime de Trump e uma verdadeira corrente de indignação moral que instava outras pessoas a erguerem a sua voz.
Conversei com duas mulheres que faziam parte do Exército das Servas que foi uma tão grande presença durante todo o dia e, na realidade, toda a semana. Uma delas temia profundamente pela segurança e o futuro da família LGBT dela. A outra tinha filhos que tinham perdido os seus empregos governamentais, e o filho dela de quatro anos perguntava por que não tinham dinheiro. “Porque é que uma criança de 4 anos se deveria preocupar com o dinheiro?!”
Conversei com uma trabalhadora dos Serviços de Proteção Infantil do Noroeste. A voz dela começou a quebrar-se quando ela falou sobre o que estão a enfrentar aqueles que ela acompanha e todas as pessoas: “Não quero que todas as crianças percam os cuidados de saúde e a alimentação... Estou aqui pelos direitos civis de todos... Precisamos de parar o crescimento do poder [de Trump] antes que ele se consolide num regime fascista total, porque quando isso acontecer estaremos todos em perigo. Quando atacam os mais vulneráveis de nós, isso irá afetar-nos a todos e devemos ser responsáveis pelo que acontece aos mais vulneráveis, e é por isso que estou aqui... Não podemos viver com isto, precisamos que isto desapareça já, e eu acho que se as pessoas continuarem a chegar em massa, teremos uma oportunidade de os tirar de lá. Foi isso que funcionou historicamente com outros regimes e eu acredito que isso também pode acontecer.”
Diversidade e unidade
Enquanto eu falava com as pessoas, a multidão diversificada ia crescendo constantemente, de talvez algumas centenas de pessoas quando cheguei a muitas centenas, perto do palco e colina acima em direção ao Monumento a Washington, à medida que se aproximava a hora de início, as 11h da manhã.
Havia pessoas com todos os tipos de disfarces. Uma pessoa vestida de George Washington tinha um cartaz que dizia: “Eu desaprovo”. Depois havia o diabo, Guy Fawkes e os animais insufláveis tornados populares em Portland, Oregon, para escarnecer da mentira de Trump de que todos os manifestantes seriam terroristas “anfifas”. Um casal estava vestido de parelha de palhaços, outro parecia o Joker do Batman. E havia muitos cartazes criativos. Uma mulher estava dentro de uma sanduíche de cartazes com acusações contra Trump. Um jovem levava um cartaz escrito à mão: “Um verdadeiro patriota defenderá o seu país contra o governo — Thomas Jefferson.”
No meio de tudo isto, percebia-se que havia uma grande energia e uma sensação de unidade — que acolhia as diferenças e a diversidade — e um propósito claro: “Trump tem de ir embora, JÁ!”. Ao mesmo tempo, ainda que muitas das pessoas com quem falei estavam realmente entusiasmadas com o que estava a acontecer nesse dia, especialmente a exigência de que “Trump tem de ir embora, JÁ!”, elas não estavam ainda ligadas à Recusar o Fascismo de uma forma organizativa, nem entendiam claramente a análise desta sobre o fascismo ou sobre como o parar.
Discursos poderosos, estar à altura dos desafios do momento
É fundamental ouvir todos os discursos desse dia. Eles estabeleceram um tom poderoso, determinado, inspirador e enérgico para toda a jornada e para o futuro. Esses oradores vieram de muitas e diversas lutas e tinham diferentes posições políticas, mas uniram-se com paixão e entrega a esta crucial luta política com a única exigência de que TRUMP TEM DE IR EMBORA, JÁ!
O comício foi marcado por uma promessa coletiva que os mestres de cerimónia nos guiaram a recitar: Em nome da humanidade, recusamo-nos a aceitar uns Estados Unidos fascistas! Este foi um dos lemas centrais de todo o dia e todos nós sentimos essa responsabilidade, esse juramento solene, com profundidade e paixão, refletindo a amplitude intelectual que está no coração e na alma da Recusar o Fascismo.
Entre os muitos oradores, esteve Michael Fanone, um ex-polícia de Washington, DC, que foi brutalmente espancado por fascistas no Capitólio no 6 de janeiro de 2021, quando Trump lançou a sua falhada e violenta insurreição para se manter no poder. Esteve também Baltazar Enriquez, que estava acompanhado por meia dezena de pessoas do Conselho Comunitário de Little Village, em Chicago, o qual está na linha da frente de uma batalha política contra o ICE. Três estudantes de diferentes universidades — entre os quais uma estudante que interrompeu os estudos dela na Califórnia para estar presente em Washington, DC, para ajudar a organizar o comício — falaram com entusiasmo e profundidade. [Vê aqui uma lista dos principais oradores e ouve o programa inteiro aqui e aqui (em inglês).]
Depois, Sunsara Taylor falou em nome da Recusar o Fascismo. A intervenção dela começou com uma agitação visceral sobre o que significa “em cores vivas” este fascismo para todos os diferentes tipos de pessoas oprimidas. Ela salientou três grandes verdades:
- Primeiro, que não é possível conviver com este fascismo e que ele está a acelerar;
- Segundo, que não podemos confiar nas eleições de 2026, as quais Trump já está a tentar subverter ou cancelar — ou melhor dizendo, é necessário que a esperança que as pessoas sentem devido às recentes eleições se manifeste nas ruas; e
- Terceiro, que há uma estratégia que a Recusar o Fascismo está a aplicar para expulsar o regime, a qual pode ser bem-sucedida mas exige a TUA participação.
De seguida, ela recorreu poderosamente ao exemplo dos abolicionistas que desempenharam um papel crucial na abolição da escravização dos negros nos Estados Unidos. Ela expressou isso da seguinte maneira:
Num sentido muito real, somos como os abolicionistas do passado. Eles eram poucos em número. Eles estavam mais à frente que mesmo as pessoas decentes da sociedade. Mas eles tinham razão.
Eles disseram que não podia haver compromissos com a escravatura. Era necessário aboli-la.
Nós dizemos hoje o mesmo sobre o fascismo: não é possível conviver com ele. Ele não pode ser contido. É preciso derrotá-lo — expulsá-lo do poder de uma maneira não-violenta.
Eles viviam num país cujas contradições tinham atingido um ponto de rutura.
Nós também.
Quando os que estão no poder estão tão profundamente divididos... quando milhões de pessoas se mobilizam... quando todo o tecido social está a ser dilacerado... uma minoria que tenha RAZÃO, que atue com convicção, que não ceda no seu empenho, essa minoria pode mover milhões de pessoas e mudar a história. É este o nosso objetivo. É isto que estamos a iniciar hoje. Não viemos aqui para fazer uma declaração. Viemos aqui para fazer história.
No final do comício, mais de 30 Servas subiram ao palco enquanto a banda Waking Stone tocava o seu hino “Recusamo-nos a aceitar uns Estados Unidos fascistas”. A banda foi uma incansável e muito importante presença de coesão durante todo o fim de semana. A multidão, que então já se contava em milhares de pessoas, levantou-se e avançou em direção ao palco.
Por fim, uma importante novidade neste comício — e neste movimento — foram as rimas cadenciadas que cristalizam os princípios fundamentais de unidade e ajudaram a forjar uma força coerente entre pessoas com diferentes pontos de vista. Vê aqui a maneira como as rimas criaram coesão entre as pessoas.
Pessoalmente, senti que a vasta gama de forças e pontos de vista que se tinham aglutinado, juntamente com o espírito e a energia que caracterizaram o dia, refletiam o tipo de liderança que realmente pode guiar o caminho para a expulsão desses fascistas obscenos e monstruosos. Houve paixão, determinação e alegria que percorreram a manifestação de várias horas que se seguiu ao comício, com todos os tipos de cartazes, roupagens e uma banda de música que guiava as pessoas com canções como “De que lado estás?” e “Levanta-te, Põe-te de pé!”.
Uma multidão que gritava “Trump tem de ir embora, JÁ!”, manifestando-se na sede do poder
Sem dúvida que toda a multidão, que se estendia ao longo de várias centenas de metros, demorou bastante tempo a sair do Anfiteatro Sylvan e a entrar em formação para a manifestação. A dado momento, no início da manifestação, esta tinha 8 filas de largura e estendia-se ao longo de todo um quarteirão (160 metros) de comprimento, com um muro de cartazes “Trump tem de ir embora, JÁ!” a encabeçar o caminho, deixando uma poderosa mensagem centrada. Foi maravilhoso.
Ao marcharem ao longo da Esplanada Nacional (National Mall), do monumento a Washington até ao Supremo Tribunal e mais além, fez-me perceber melhor por que razão era tão importante centrar esta ação em Washington, DC, a sede do poder.
Ao longo de um trajeto de apenas 4,2 quilómetros, estão o Departamento de Estado, a Reserva Federal, a Academia Nacional de Ciências, o Departamento de Justiça, o Capitólio, o Supremo Tribunal e a Casa Branca. Além disso, nessa mesma zona estão muitos dos museus científicos, culturais e históricos que Trump está a tentar esvaziar e remodelar.

Portanto, é o lugar certo para desafiar diretamente o regime de Trump e as atrocidades dele, imediatamente e no local, e para ganhar força para o conseguir impedir de continuar a exercer a sua habitual atividade fascista. Como disse Bob Avakian há várias semanas (inglês/castelhano): “Porquê Washington, DC? Porque é aí a sede do governo — é onde está concentrado o poder deste regime fascista e onde as massas populares podem exercer a sua influência de uma forma mais concentrada e poderosa.”
Durante a manifestação, um membro da nossa equipa conheceu duas mulheres que tinham sido temporariamente suspensas do Museu Smithsonian. Elas disseram que participavam em todos os protestos contra Trump. Tinham gostado da “firmeza” desta manifestação e planeavam ir ao protesto da Recusar o Fascismo em frente ao Supremo Tribunal na sexta-feira. Odeiam o que está a ser feito aos imigrantes e o ataque ao programa SNAP. Nesta situação, disseram, para uma pessoa estar do lado moral tem de estar a fazer algo para expulsar Trump do poder.
Mais à frente, no edifício do Senado, cerca de uma dezena de jovens, vestidos de uma maneira muito elegante e possivelmente algum tipo de assessores, saírem pela porta principal e juntaram-se à manifestação.
Estes exemplos salientam a importância de chegar às instituições dominantes do próprio sistema e o importante papel que essas pessoas podem desempenhar na expulsão do regime fascista de Trump.
Conclusão da manifestação
No final da manifestação, Andy Zee e Jim Keady, do grupo dirigente da Recusar o Fascismo, abordaram as questões do momento, com franqueza e sem exageros. Transmitiram às pessoas a importância do que tinham criado nesse dia e os novos e enormes desafios — políticos e morais — que agora se lhes colocam. Foram anunciados novos planos para responder aos monumentais desafios que enfrentamos, incluindo a criação do sítio TrumpMustGo.Org [Fora Trump] e novas ações ao longo de novembro, com o objetivo de aumentar a participação de milhares para milhões de pessoas.
No comício de encerramento na Praça Stanton, Andy Zee disse algo que realmente me impactou, especialmente em termos do que eu tinha ouvido as pessoas dizer nesse dia: “Percebem o significado do que fizeram hoje? Isto é uma pergunta real... O que fizeram hoje foi tão importante para além do que possam imaginar porque não entenderam todo o horror deste regime fascista.”
(Vê aqui o discurso completo de Andy Zee, em inglês.)
2º dia, quinta-feira, da Universidade George Washington até à Georgetown:
Um desafio aos estudantes, “Precisamos de vocês aqui a fazer sacrifícios.”
O plano para a quinta-feira era uma manifestação da Universidade George Washington (GWU) até à Georgetown, uma outra prestigiada universidade a cerca de três quilómetros de distância. Foi um dia para desafiar e mobilizar os estudantes, bem como outras pessoas. E o dia acabou por mostrar que há muitas vias e um grande potencial para as duas coisas.
Antes do início da manifestação, as pessoas concentraram-se frente aos portões da GWU. Eu e outro membro da equipa entrámos para conversar com os estudantes e outras pessoas presentes. Uma delas era um membro do jornal estudantil, o GW Hatchet. Ele disse-me que o jornal tinha visto o artigo de opinião de Coco Das (inglês/castelhano) para a Recusar o Fascismo no Columbia Spectator e que eles publicaram o seu próprio artigo sobre o protesto de 5 de novembro.
Alguns estudantes e jovens — como um que falou quarta-feira, entre outros — tomaram a difícil decisão de deixarem temporariamente de lado os estudos ou a carreira para se dedicarem inteiramente a esta luta. Outros começaram a mobilizar-se de diferentes maneiras, incluindo vários com quem falei durante a manifestação que tinham vindo sozinhos ou com algum amigo de universidades como a George Mason ou a Howard. Mas a verdade é que os estudantes ainda não se tornaram na poderosa presença que precisam de ser para que este movimento triunfe.
Abby, uma estudante de ciências políticas (que, meio a brincar, disse que “todos na GWU são estudantes de ciências políticas”), captou parcialmente esta ideia. Ela achava de facto que estávamos a enfrentar o fascismo. Quando lhe disse que pará-lo era muito mais importante do que os estudos, a carreira, etc., ela concordou... intelectualmente. “Concordo totalmente. Acho que é realmente difícil, porque ao mesmo tempo me quero concentrar nas minhas aulas e ter bons resultados. Estou a tentar entrar na faculdade de direito mas, ao mesmo tempo, como é que se pode esperar que isso aconteça, tens razão, no sistema em que vivemos.” Ela teve de sair a correr para uma aula, mas prometeu (sinceramente): “Sem qualquer dúvida, vou dar uma vista de olhos ao que vocês estão a fazer e irei informar-me mais sobre isso, porque quero fazer mais.”
A ideia era levar uma massa crítica de pessoas até às universidades para criar um ambiente e um cenário totalmente diferentes, pelo menos durante a tarde. Assim, mais de 100 pessoas iniciaram a marcha até à Universidade Georgetown gritando (incluindo “De que lado estás?”) e cantando palavras de ordem ao longo do caminho. Um estudante da GWU disse: “Saí do meu dormitório e ouvi cantar” e então juntou-se à manifestação. A mensagem era: “Trump tem de ir embora, JÁ! Precisamos de vocês aqui a fazer sacrifícios. Temos todos de contribuir.”
Perto do início, a manifestação passou por uma escola secundária íman. Um membro da nossa equipa notou que as aulas já tinham acabado, mas os estudantes estavam a ser mantidos lá dentro até que a manifestação passasse. “Quando passei pela escola, cerca de 15 estudantes estavam do lado de fora. A maioria estava entusiasmada com a manifestação, mas não se tentou juntar a ela. Pegaram em pilhas de folhetos e foram-se embora. Mas três estudantes juntaram-se à manifestação, a meio quarteirão de distância.”
Em pouco tempo, esses três passaram a 15 ou mais, juntamente com alguns estudantes da GWU. Estivemos a conversar com eles, mas era necessário e possível fazer mais. A maio da manifestação, uma mulher, e depois outra, e depois mais de uma dúzia levantaram-se para fazer um muito enérgico comício de oratória. “Juntei-me porque odeio o Donald Trump!”, exclamou uma. Outra disse: “O meu melhor amigo é um estudante internacional e eu não quero viver todos os dias com medo de que ele seja sequestrado na rua.”
Vários estudantes da GWU tinham participado no protesto de sexta-feira em frente ao Supremo Tribunal.
Esta manifestação até à universidade mostrou o potencial, e o poder, da união como força atrativa e desafiadora.
3º dia, sexta-feira:
“Julguemos os juízes! O amor triunfou e não há volta atrás! Trump tem de ir embora, JÁ!”
Para sexta-feira de manhã, a Recusar o Fascismo tinha convocado um protesto em frente ao Supremo Tribunal. O Tribunal, dominado por fascistas, estava a discutir de uma forma ultrajante se deveria aceitar um processo judicial que poderia anular o casamento entre pessoas do mesmo género e fazer recuar milhões de pessoas LGBT para a idade das trevas.
Mais de 200 pessoas concentraram-se nas escadarias do Supremo Tribunal. Oye Owolewa, Representante Sombra do Distrito de Colúmbia (DC) no Congresso, logo enquadrou esse ataque como parte do fascismo. Um diversificado grupo de oradores — entre os quais a Reverenda Michele H. Morgan, reitora da Igreja Episcopal de São Marcos; Sophia Zoë Kilmer, advogada de direitos civis e ativista pelos direitos dos transexuais; Camron Hurt, da Causa Comum–Havai; Alexandra “Ali” Curd, advogada de políticas públicas do escritório Lambda Legal; Dr. Alli Muhammad, do Partido Revolucionário Pantera Negra; e Shelby von Hofe, diretora de Políticas e Defesa da NOW — defenderam veemente e apaixonadamente o direito a amar quem se ama e declararam que esse direito e esse amor “estão a ser espezinhados”. Comprometeram-se a jamais recuar para os tempos anteriores ao reconhecimento e legalização da igualdade no casamento. Ao mesmo tempo, ligaram isso a outras intensas lutas que as pessoas enfrentam.
E, uma vez mais, Sunsara Taylor juntou tudo isto, deu-lhe um foco e manteve o rumo da conversa. Destacou o papel do Supremo Tribunal na consolidação à martelada de uma teocracia fascista cristã, assinalando toda a experiência da história de como eles primeiro evisceraram, e depois anularam, o caso judicial Roe contra Wade para salientar o perigo. E lutou para que as pessoas compreendam claramente a gravidade da situação e não se deixem enganar com o consolo de falsas esperanças: os fascistas estão a reconfigurar as instituições e a destruir vidas, neste preciso momento. No final do comício, o ativista pioneiro pelos direitos dos gays, Jim Fourratt, fez um discurso apaixonado e comovente, descrevendo vividamente as lições e a orientação de toda uma vida de luta.
Uma mulher comparou a situação atual à Alemanha nazi: “É uma comparação direta com Hitler, certo? Foi desta maneira que ele fez. Fez as pessoas crerem que os judeus não eram humanos, que os ciganos não eram humanos, que os romanis não eram humanos, que os homossexuais não eram humanos, que os socialistas não eram humanos. E então as pessoas simplesmente olharam para o outro lado, e nós não podemos permitir que isso aconteça. Não podemos permitir que isso aconteça.”
Um membro da nossa equipa teve algumas discussões aprofundadas com pessoas presentes nessa manifestação. Estas entrevistas dão uma ideia da diversidade das pessoas que nela participaram, de algumas formas como elas pensam e, acima de tudo, do enorme potencial que este movimento pode e deve aproveitar nas semanas cruciais que se avizinham.
Um líder da secção local da Recusar o Fascismo pôs a tocar música latina com muito balanço no final deste comício extremamente intenso e as pessoas que ficaram começaram a dançar umas com as outras com uma alegria transbordante e um forte sentimento de unidade.
O processo de forjar um movimento
A manifestação durou toda a manhã. Mas o dia estava longe de ter terminado. Cerca de 100 pessoas voltaram para o centro de trabalho da Recusar o Fascismo para falarem mais profundamente sobre as coisas. Entre elas esteve a maior parte da secção de Washington, DC, que tinha sido o pilar dos três dias, e muitas pessoas vindas de todo o país que se estavam a juntar a este movimento pela primeira vez. Ao chegarem, desfrutaram de um jantar de esparguete preparado pela incansável e altamente qualificada equipa de voluntários que no início da semana tinha oferecido um delicioso jantar de comida soul.
Sunsara dirigiu a reunião, juntamente com alguns dos líderes da secção de Washington, DC. Tanto os recém-chegados como os “veteranos” dos últimos meses falaram com emoção sobre os seus motivos para estarem presentes e as suas esperanças e aspirações para este movimento. Mais do que um deles contou ter visto um panfleto em algum lugar e dizer para si mesmo: “Tenho de lá estar”, assegurando-se de que iria. Outros falaram em estar rodeados de trumpistas nas suas famílias, e como isso tinha fortalecido a sua determinação. Ao longo da reunião, houve um forte sentimento da importância de vencer esta luta. A certo momento, uma das líderes da secção local quis destacar uma pessoa que tinha visto na quarta-feira a fazer uma coisa muito simples: conversar com as pessoas que estavam sozinhas, ou em pequenos grupos, ouvindo-as e interagindo com elas. Algumas das pessoas com quem ela falara tinham regressado em dias sucessivos, faziam parte de algo. Quando a jornada começou a terminar, as pessoas falavam em regressar a casa... e em mobilizar mais pessoas para as manifestações que iriam começar no sábado seguinte, 15 de novembro.
Enquanto eu caminhava para a estação ferroviária, sentia a vibração dos últimos dias e refletia... profundamente. Quando cheguei à estação, tive a sensação de que, nestes primeiros dias em Washington, DC, tinha começado a ser forjada uma alavanca que poderia mobilizar milhões de pessoas.
Mas o futuro ainda não está escrito, e tem de avançar... a toda a velocidade.
Mais informações disponíveis em Imagens e Vozes (inglês/castelhano).
Para uma ideia mais concreta de quem participou e porquê, vê as entrevistas (inglês/castelhano) feitas por vários voluntários com o revcom.us sobre os primeiros cinco dias do movimento “Fora Trump JÁ”.