Do Revolution/Revolución, voz do Partido Comunista Revolucionário, EUA (publicado em inglês a 8 de junho de 2026 e em castelhano a 18 de junho de 2026)
Fascistas de todo o mundo reúnem-se em Portugal numa conferência de “remigração” com apelos à limpeza étnica e a expulsões em massa
De um leitor do Revolution/Revolución
No passado dia 30 de maio, forças fascistas dos EUA e da Europa reuniram-se na Figueira da Foz, Portugal, para uma “Cimeira da Remigração” centrada na exigência de deportações em massa e na expulsão de imigrantes, de minorias e até de cidadãos considerados como sendo de nacionalidades ou religiões “erradas”. Na cada vez mais normalizada linguagem fascista, a “remigração” significa abertamente a expulsão em massa: não só a deportação de imigrantes indocumentados, como a expulsão de populações inteiras consideradas insuficientemente “assimiladas”, ou não “leais”, ou simplesmente não fazendo parte da identidade nacional dominante.
O ex-dirigente da Patrulha Fronteiriça dos EUA, Greg Bovino (cujos agentes ao estilo da GESTAPO foram responsáveis pelas mortes de Alex Pretti e Renee Good em Mineápolis) foi um dos palestrantes em destaque, ao lado do ativista supremacista branco Jared Taylor, de membros da Frente Patriota e de representantes eleitos dos partidos AfD da Alemanha e Vox de Espanha (ambos partidos fascistas que têm vindo a crescer nos últimos anos). O canal noticioso online Democracy Now! relatou que Bovino e Taylor foram tratados como convidados VIP do evento.
Bovino classificou a greve da fome em curso no centro de detenção de Delaney Hall, em Nova Jérsia, como “notícia falsa” e disse que, caso os detidos percam peso, “iremos poder meter ainda mais pessoas nos aviões para serem deportadas”. Assim se vê a podridão moral e a brutalidade da “remigração” fascista: seres humanos em greve da fome são ridicularizados como se fossem uma carga cujos corpos podem ser tornados mais leves para os voos de deportação. A distância entre estas palavras e o discurso do extermínio em massa é minúscula.
Um outro comentário de Bovino expõe a mentira de que Trump e o regime dele supostamente só têm como alvos pessoas consideradas “criminosos violentos” e os “piores dos piores”. Ele disse, ao criticar o regime de Trump por não ter ido suficientemente longe na campanha de deportações em massa, que há atualmente “100 milhões de estrangeiros ilegais” nos EUA. Pensem nas implicações deste número (que equivale a quase um em cada três habitantes dos EUA). No episódio de 4 de junho de 2026 do Democracy Now! [inglês/castelhano], o jornalista Charles Davis disse:
Ora, a maioria dos peritos credíveis dirá que há no máximo 12 milhões [de imigrantes indocumentados a viver nos EUA]. Mas se prestaste atenção durante a campanha eleitoral de 2024, poderás ter visto Donald Trump e JD Vance a aumentar um pouco mais esse número de cada vez que falavam. Chegaram aos 20 milhões, depois aos 30 milhões e agora já vão nos 100 milhões. E eu acho que isso revela que eles não estão só a tentar expulsar as pessoas com base no seu mero estatuto legal. Temos de ver isto no contexto de estarem a tentar eliminar a cidadania por nascimento e a anular o século 20. Isto é, a tentarem livrar-se das pessoas que chegaram nos últimos cem anos, que eles consideram não ser suficientemente norte-americanas ou, no contexto europeu, não serem suficientemente europeias.
O facto de isto ser o que os fascistas de ambos os lados do Atlântico andam a fazer “flutuar” agora — e a trocar opiniões — deve ser uma enorme chamada de atenção para as pessoas decentes em todo o mundo. Para aqueles de nós que agora estamos a viver sob o regime fascista de Trump e do movimento MAGA, isto deve reforçar a nossa determinação e sublinhar a urgência de pormos em prática as oportunas e abrangentes palavras de ordem:
Em nome da humanidade, recusamo-nos a aceitar uns Estados Unidos fascistas!
A organização Recusar o Fascismo (refusefascism.org) tem argumentado repetidamente que os ataques xenófobos contra os imigrantes por parte dos fascistas de Trump e do MAGA têm sido o foco e o aríete de uma mais vasta reformulação fascista da sociedade. Eles já estabeleceram um terrível precedente de milhares de pessoas desaparecidas, inúmeras pessoas autodeportadas por medo ao regime e pessoas assassinadas por agentes do Estado por se terem levantado contra tudo isto, e que nada disto ainda é a conjuntura que precipitará a inversão de todo este impulso, para realmente expulsar o regime e repudiar completamente a sua política na sociedade em geral.
O importante e recente artigo [inglês/castelhano] sobre a greve da fome e os protestos no campo de concentração de Delaney Hall, em Nova Jérsia (nos quais participaram alguns políticos do Partido Democrata), afirma:
A reinstituição de uma flagrante e brutal supremacia branca e xenofobia por parte do regime fascista de Trump representa uma forma diferente de governação do sistema capitalista-imperialista dos EUA...
Os Democratas têm diferenças reais em relação a esta xenofobia aberta e brutal. O facto de eles se terem sentido compelidos a protestar contra isto, e até terem sido presos e brutalizados pelos fascistas, contribuiu para chamar a atenção para este horror. Mas, em última análise, esses dirigentes políticos Democratas representam o mesmo sistema que os fascistas, e é este sistema e o seu incansável impulso de “todos contra todos” pelo lucro que tem saqueado as economias e distorcido as sociedades de onde esses imigrantes foram afastados. Em suma, como representantes deste sistema, mesmo que representantes políticos “liberais”, eles não têm respostas fundamentais para os problemas criados por este sistema.
BOB AVAKIAN, REVOLUÇÃO Nº 89:
Linda Ronstadt: A poderosa verdade sobre Trump e os imigrantes… MAS é necessário dizer mais.
É crucial levar este entendimento às pessoas num momento em que a atenção delas é cada vez mais impelida para as eleições intercalares deste outono, e para as eleições presidenciais marcadas para 2028. E, como disse Bob Avakian na sua mensagem nas redes sociais REVOLUÇÃO Nº 89 [inglês/castelhano]:
(...) embora [Kamala] Harris (e os Democratas) não se envolvam na linguagem cruamente racista de Trump (e dos Republicanos) contra os imigrantes, o verdadeiro historial de Harris e dos Democratas também é horrível em termos de uma cruel repressão dos imigrantes, incluindo dos que solicitam asilo.
A resposta não é reformar o regime de fronteiras, nem uma segurança de fronteiras mais “eficaz” e “bipartidária”, como alegam representantes do Partido Democrata como Kamala Harris, James Talarico e outros. A resposta é a revolução por um mundo sem fronteiras e pela emancipação da humanidade em todo o mundo. Já é mais que tempo de deixarmos para trás um sistema cujo funcionamento depende da pilhagem, da exploração, de fronteiras militarizadas, de campos de detenção e da divisão da humanidade em “legais” e “ilegais”.
Precisamos e exigimos: Uma maneira inteiramente nova de viver, um sistema fundamentalmente diferente
A Constituição para a Nova República Socialista na América do Norte [inglês/castelhano], da autoria do líder revolucionário Bob Avakian, dá um sentido concreto a uma direção radicalmente diferente: ela diz que a nova república socialista irá “dar as boas-vindas aos imigrantes vindos de todo o mundo” que queiram contribuir para os seus objetivos emancipadores, e irá fornecer asilo aos perseguidos por estados imperialistas e reacionários. Isto será uma verdadeira expressão do internacionalismo: partindo dos interesses da humanidade, e não de “os Estados Unidos em primeiro lugar”.
Nestes tempos de acrescidas possibilidades revolucionárias, coloca-se a seguinte questão: iremos avançar para lutar por este objetivo? Que outra causa, que outra visão, que outro futuro oferece algo próximo de uma saída deste horror?