Do Revolution/Revolución, voz do Partido Comunista Revolucionário, EUA (em inglês a 6 de março de 2026 e em castelhano a 11 de março de 2026)

Nota da redação do Revolution/Revolución: O seguinte texto é um comunicado publicado a 6 de março pela Osyan (que significa “rebelião” em farsi), uma organização de mulheres iranianas e afegãs.

Da Osyan:
Das mulheres do Irão para as pessoas de todo o mundo no 8 de março de 2026:

Façamos com que se arrependam de bombardear o Irão!

Aqui no Irão, estamos a organizar-nos para construir uma verdadeira revolução no meio desta guerra.

Dia Internacional da Mulher em Santiago, Chile
Dia Internacional da Mulher em Santiago, Chile, 8 de março de 2025 (Foto: AP)

Enviamos esta mensagem a partir de ruas e cidades que já não reconhecemos, porque a face da guerra é alheia e aterradora. Israel e os Estados Unidos despejaram 1200 bombas na nossa terra em apenas 24 horas, não fazendo nenhuma “discriminação” entre crianças e velhos, bases militares e escolas primárias, o palácio de Khamenei e um hospital! Desta vez, as bombas deles nem sequer estão cobertas pelo verniz da “democracia”. As bombas do fascismo, ao que parece, são mais honestas connosco sobre o nosso destino: a destruição, a dominação total e a submissão total do Irão.

Nós, que ainda não havíamos recuperado do massacre de janeiro passado cometido pela República Islâmica, de repente vimo-nos numa guerra totalmente injusta, numa posição em que, uma vez mais, nos reduzem a meros “números” e nos impedem de moldar ou decidir o nosso próprio futuro.

O estrondo dos mísseis chegou para que não seja ouvido o nosso grito de “liberdade, liberdade, liberdade”; as explosões ocorrem para que colapsem as paredes pintadas com as palavras “De pé até ao fim”. A lógica das armas poderosas é fazer com que as pessoas se sintam impotentes, para as arrastar para trás de agendas reacionárias. Será que somos impotentes?

Durante dois anos assistimos ao genocídio em Gaza, assistimos a incontáveis atrocidades contra as mulheres, as pessoas queer, os migrantes — e agora assistimos ao bombardeamento do Irão. Queremos continuar a ser espectadores enquanto o sistema belicista, capitalista-imperialista, empurra o nosso planeta para além da pilhagem e destruição, em direção à extinção total? O que está a acontecer hoje no Irão é a erupção de contradições num sistema que atingiu os seus limites e já não consegue encontrar qualquer solução dentro deste sistema, a não ser um massivo derramamento de sangue e horrores sem fim. Queremos continuar a ser espectadores?

Nós, as mulheres do Irão, que lutámos contra o sistema patriarcal durante anos, sabemos agora mais claramente que nunca que acabar com o sistema patriarcal e libertar as mulheres é impossível sem derrubar o imperialismo capitalista. As palavras dos representantes deste sistema sobre “direitos iguais”, quando a verdadeira face deles ficou exposta em Gaza e no Irão, não deveriam ser toleradas nem um segundo mais! Declaramos-lhes: incinerar o sistema patriarcal é para nós apenas a primeira labareda da incineração de todo o vosso putrefacto sistema.

O Irão não é só a nossa casa como iranianos, é uma parte incandescente da vossa casa. Assim, não queremos de vós apenas “solidariedade”. Para apagar este fogo, saiam à rua no 8 de março em todo o mundo. Das entranhas da besta nos Estados Unidos a toda a Europa, desde o interior dos imperialismos da China e da Rússia à Turquia e ao Paquistão...

Ergam as vossas vozes: Não à guerra contra o Irão!

Impeçam o imperialismo norte-americano de levar a cabo as próximas etapas dos planos deles para o futuro de toda a humanidade! Ordenem aos vossos governos e classes dominantes — àqueles que se mantêm em silêncio neste momento ou que são cúmplices, avivando as chamas da guerra para reivindicarem um maior quinhão — que parem.

Aqui no Irão, estamos a organizar-nos para construir uma verdadeira revolução no meio desta guerra. E vocês, a começar neste 8 de março e até ao fim desta guerra, devem mobilizar as mulheres para as ruas para a libertação da humanidade e para parar a máquina da guerra imperialista. Estejam connosco na exigência do fim da República Islâmica às mãos do povo do Irão, e ajudem-nos a romper o falso binarismo de “ou a República Islâmica ou os Estados Unidos”. Eles estão em conflito entre si, mas pertencem ao mesmo sistema. Só assim poderemos fazer com que se arrependam de bombardear o Irão!

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