Do sítio do Revolution/Revolución, voz do Partido Comunista Revolucionário, EUA (em inglês a 2 de fevereiro de 2026 e em castelhano a 4 de fevereiro de 2026)

Quando começam a proliferar as conversas sobre uma guerra civil...

Quem luta pela humanidade deve aproveitar este momento para derrotar este fascismo e fazer a revolução!

Estudantes abandonam as aulas numa escola secundária no estado norte-americano da Geórgia em protesto contra as atividades do ICE
Confrontos no centro de Los Angeles entre a polícia e manifestantes que se opõem ao ICE
Estudantes abandonam as aulas nas escolas de Knoxville, Tennessee, em protesto contra o ICE
Michelle Xai, com os revcoms (comunistas revolucionários), dirige-se às mobilizações estudantis em Los Angeles, EUA

Os acontecimentos da semana passada mostram uma sociedade a dilacerar-se. Tudo isto tem estado centrado em torno da violenta repressão totalmente ao lado da lei que está a cometida pelo regime fascista de Trump em Mineápolis-St. Paul... e também na heroica resistência contra ela.

Milhares e milhares de pessoas decentes estão a pôr-se de pé contra as assassinas tropas de choque fascistas do ICE [a agência de imigração e fronteiras dos EUA]; mais algumas dezenas de milhares de pessoas estão a organizar-se em redes de vizinhança para soar o alarme e possibilitar a sobrevivência dos seus vizinhos imigrantes. Artistas, influenciadores e atletas proeminentes têm apoiado corajosamente as pessoas e os manifestantes contra o fascista Trump (ver, por exemplo: aqui, aqui, aqui e aqui). E com especial importância: os jovens estão a juntar-se à batalha, com estudantes do secundário a sair às ruas em todo o país na sexta-feira e sábado. Vê-se isto — e a recetividade desses jovens à mensagem de revolução — neste vídeo de Los Angeles.

Apesar das fantasias de alguns liberais, os fascistas NÃO estão a recuar. Para eles este momento é, nas palavras do estratega fascista Steve Bannon, um “ponto de inflexão”, um momento em que, ao encontrarem resistência, contra-atacam com ainda mais força. O promotor do nazismo Tucker Carlson denunciou “um tipo de insurreição contra a autoridade federal” e o conselheiro de Trump e arquiteto fascista Stephen Miller acusou a senadora democrata de direita do estado do Minnesota, Amy Klobuchar, de “avivar as chamas da insurreição com o único objetivo de suspender as deportações de imigrantes ilegais que inundaram o país”. Aquilo de que eles estão a falar quando dizem “insurreição” são as pessoas que, de forma não-violenta, ainda que muitas vezes de forma militante, se estão a manifestar, a filmar as detenções e a levar a cabo ações de ajuda mútua (fornecendo alimentos, cuidados médicos, etc.). E a razão pela qual eles exageram ao usarem a palavra “insurreição” é para a esmagarem violentamente.

Autarca liberal Jacob Frey: “Nem sequer quero pensar nisso”

Os liberais dividiram-se. Alguns, como os líderes democratas do Congresso Schumer e Jeffries, ainda estavam a tentar fazer acordos com os fascistas — e a sair sempre perdedores. Mas alguns democratas individuais tentaram fazer soar o alarme. O governador democrata do Minnesota, Tim Walz, descreveu isto como sendo um momento “tipo Forte Sumter” nos EUA. (Forte Sumter foi a batalha inicial da Guerra Civil dos EUA!)

No mesmo sentido, o autarca (“mayor”) Jacob Frey de Mineápolis foi muito franco ao falar sobre o que temia. A seguinte passagem de uma recente entrevista ao jornal The New York Times dá um vislumbre da perspetiva de muitas pessoas do setor liberal da classe dominante:

Entrevistadora: Um juiz disse que o ICE violou quase 100 ordens judiciais desde que iniciou a sua campanha agressiva em Mineápolis, o que me faz perguntar-lhe se acha que consegue impor qualquer acordo com Homan e o governo federal?

Frey: Essa é a pergunta mais perigosa que se pode fazer porque se estivermos a falar de um governo federal que ignora completamente as ordens judiciais, então estamos num mundo de dor que vai muito para além de qualquer segurança individual. É um princípio fundamental da nossa República. O campo de batalha em que estamos a lutar como municípios e cidades por todo o país não é o da guerra. É o das leis. O campo de batalha em que iremos ganhar é o das leis, e uma pré-condição dessa luta necessária é que, uma vez determinada a lei e emitida uma ordem judicial, então ela vai ser cumprida...

Entrevistadora: Quais são as opções se eles não o fizerem?

Frey: As opções em que nem sequer quero pensar. Ou seja, eu estou a ver para onde você me está a levar. É essa a preocupação, e eu nem sequer quero pensar no que significa as ordens judiciais serem literalmente ignoradas. [Sublinhado nosso.]

“Nem sequer quero pensar no que isso significa” NÃO é, muito certamente, a maneira de lidar com um desastre que vem a toda a velocidade na nossa direção! Infelizmente, demasiadas pessoas decentes adotam a mesma mentalidade fundamentalmente irresponsável — e francamente imoral.

As fantasias sobre Trump estar a recuar

No início da semana, Trump substituiu o comandante da Patrulha Fronteiriça que estava a liderar as operações no Minnesota, Greg Bovino, pelo supostamente “mais razoável” czar fronteiriço, Tom Homan. A Procuradora-Geral Pam Bondi ofereceu um suposto compromisso a Walz. Ah, e os “índices de aprovação” de Trump baixaram.

Tudo isto causou uma delirante alegria em alguns círculos. Bem, investiguemos isso. O “mais razoável” Homan é um virulento fascista anti-imigração de longa data. Homan supervisionou o programa de 2017 de arrancar milhares de crianças imigrantes dos braços dos seus pais na fronteira. (1360 dessas crianças nunca se voltaram a reunir com os seus pais!) O supostamente mais brando Homan indicou que talvez pudesse haver um acordo se Frey e Walz permitissem que o ICE entrasse nas prisões, cadeias e reformatórios à procura de imigrantes.

Ao mesmo tempo, nas gélidas ruas de Mineápolis continuam as rusgas do ICE com toda a sua brutalidade e foram abertos novos “teatros” (para usar o termo militar de Homan para os lugares que são alvos do ICE). Mais de 200 pessoas foram presas no estado do Maine esta semana. O ICE bateu o seu recorde de número de incursões num único dia (28 de janeiro) em Los Angeles — quase 50 rusgas. E esta semana há rumores de uma ofensiva contra os imigrantes haitianos, que até muito recentemente tinham um “estatuto de proteção temporária” devido às condições violentamente repressivas e impossivelmente caóticas no seu país, devastado pelo imperialismo.

E isto é algo para nos vangloriarmos, como se estivéssemos “a vencer”? Desculpem, mas não.

Bob Avakian: Uma lição da Alemanha nazi — Não normalizem o fascismo de Trump e do MAGA. Do discurso de Bob Avakian em 2017, durante o 1º mandato de Trump, O REGIME DE TRUMP E PENCE TEM DE SE IR EMBORA! Em nome da humanidade, RECUSAMO-NOS a aceitar uns Estados Unidos fascistas. Um mundo melhor É possível.
(Vídeo em inglês, com o texto em castelhano disponível aqui.)

Quanto ao compromisso de Bondi, foi uma oferta de suspender a ofensiva do ICE no Minnesota caso Walz entregasse os registos dos eleitores do estado, caso ele desse a Bondi a lista de todos os recipientes de benefícios SNAP e Medicaid e caso ele eliminasse as leis que instituem santuários. Por outras palavras, Walz teria de cooperar integralmente, tanto na limpeza étnica e no exílio forçado de imigrantes no Minnesota, COMO TAMBÉM permitir que Trump manipulasse o padrão eleitoral do Minnesota.

E em relação aos “índices de aprovação”, Trump já nos mostrou que não lhe importam nada os resultados concretos das eleições. No caso de isto não ter ficado claro desde o 6 de janeiro de 2021, ainda a semana passada a Diretora Nacional de Inteligência, Tulsi Gabbard, foi enviada para Atlanta para uma vez mais tentar comprovar que Trump realmente ganhou as eleições na Geórgia, e portanto as eleições presidenciais de 2020. Pergunta-te por que razão a pessoa responsável pela CIA foi enviada para a Geórgia para investigar as eleições, e nenhuma das respostas que te ocorram poderão augurar nada de bom!

Mais, na sexta-feira, o supostamente castigado Trump já andava novamente a difamar Alex Pretti [assassinado pelo ICE].

São mortíferas as fantasias de que o fascismo de Trump se irá autodestruir. Aqui, exortamos todos os leitores a ouvir — e divulgar — este vídeo em que Bob Avakian retira lições muito relevantes da história durante o tempo de Hitler para contestar um argumento semelhante durante o primeiro mandato de Trump.

POR QUE RAZÃO está a ocorrer este pesadelo?!?

“Por que razão estamos a enfrentar este fascismo? A resposta é que a causa fundamental deste fascismo é o facto de este sistema do capitalismo-imperialismo estar perante os seus limites.”

— Bob Avakian, REVOLUÇÃO Nº 118, Este sistema gerou o fascismo de Trump e do MAGA: As pessoas, aos milhões, devem pôr fim a este regime fascista — JÁ — antes que seja demasiado tarde!

Isto não é um pesadelo do qual todos iremos acordar. Este fascismo emergiu do sistema económico e político que domina e molda esta sociedade — o sistema do capitalismo-imperialismo, que atravessa uma crise extremamente grave e profundamente enraizada. A antiga forma de conter as profundas contradições no interior deste sistema através de uma mistura de distribuição de privilégios e concessões menores com o apoio de uma repressão violenta e aberta quando necessário, tudo dentro do quadro de uma sociedade construída sobre a base de uma virulenta supremacia branca, de uma sufocante opressão patriarcal das mulheres e das pessoas LGBT, de guerras de agressão e ocupação, de ódio aos “estrangeiros” e de uma extrema ignorância — esta forma de manter a ordem social tem vindo a desintegrar-se face a grandes mudanças económicas e sociais. Tudo isto num contexto em que aqueles que governam este sistema enfrentam significativos problemas económicos e uma rivalidade política, económica e militar cada vez mais séria com a China, uma rivalidade que pode explodir para um holocausto nuclear total. A pairar sobre tudo isto está a catástrofe climática que se precipita sobre nós e que o capitalismo mostrou ser incapaz de resolver. Ver uma explicação mais aprofundada das razões por que estamos a enfrentar este fascismo: em inglês aqui e aqui e em castelhano aqui e aqui.

Em resposta a essa crise, este sistema gerou uma forma ainda mais monstruosa de governação. Um setor da classe dominante decidiu que a única solução é um regime fascista abertamente repressivo, violento e sem lei. O outro setor ainda está apegado às “antigas formas” que permitiram que os EUA “ascendessem” ao lugar de principal explorador, opressor e transmissor de violência no mundo. Essa velha forma de governação — a democracia burguesa (ou capitalista) — permitiu que a classe dominante resolvesse os seus conflitos entre si sem que eles desembocassem em violência aberta.

Mas o capitalismo-imperialismo sempre foi um desastre para literalmente milhares de milhões de pessoas em todo o planeta e para dezenas de milhões de pessoas dentro dos EUA. E sejamos claros: os imperialistas nunca hesitaram em ir além das leis para reprimir aqueles que consideram ser uma ameaça imediata à sua governação. Mas isso era feito dentro de certos limites — com certos direitos limitados e dentro do estado de direito —, de forma a preservarem a sua “legitimidade” aos olhos dos que eram governados.

Os fascistas veem esses limites como obstáculos — tanto na sua aplicação a quem se opõe ao sistema, COMO na sua aplicação aos seus adversários dentro da classe dominante —, obstáculos esses que têm de ser eliminados. Eles estão convencidos de que são necessárias medidas desesperadas e extremas, incluindo contra os seus rivais na classe dominante, para exercerem de uma maneira mais vigorosa a dominação dos EUA num mundo em rápida mudança. As raízes profundas e as dinâmicas impulsionadoras deste conflito significam que este fascismo não irá simplesmente “desaparecer” — como tão amplamente mostrou o “regresso” de Trump depois de 2021.

O que Bob Avakian disse em setembro do ano passado permanece inteiramente verdadeiro:

Se se deixar que este regime fascista se mantenha no poder, tudo aquilo em que as pessoas decentes sentiam que podiam confiar ao procurarem justiça será brutalmente eliminado... todos os valores morais edificantes serão vilipendiados e reprimidos... todas as áreas da sociedade serão reformuladas, de maneiras terríveis, em conformidade com a supremacia masculina e anti-LGBT, a supremacia branca e a crueldade anti-imigrante e a loucura anticientífica, anti-saúde e destruidora do clima características do regime fascista de Trump e dos delírios sanguinários e da violência depravada dos fanáticos que lideram “o departamento de guerra”, estando o louco maníaco Trump com o dedo no botão nuclear.

Cada perspetiva, e cada esforço ativo, a favor de um mundo melhor e mais justo, de um futuro que valha a pena viver, serão violentamente reprimidos e efetivamente eliminados, pelo menos no futuro próximo.

Isto não é uma hipérbole — é a amarga realidade que está a ser aplicada a alta velocidade.

(Da mensagem nas redes sociais REVOLUÇÃO Nº 133: Sim, este fascismo de Trump e do MAGA é realmente assim tão mau. E, se não for rapidamente afastado do poder, irá ficar muito pior.)

Por isso, é extremamente importante que o regime não seja simplesmente parado temporariamente, mas que seja EXPULSO. O ICE é a ponta de lança de um programa muito mais vasto. Os fascistas veem a limpeza étnica e a supressão da dissidência como uma questão de “sobrevivência nacional”, e estão mais do que dispostos a esmagar os seus oponentes democratas para o conseguir. Estes fascistas estão determinados a não recuar perante o que veem como sendo uma missão existencial.

Temos de derrotar o fascismo E TAMBÉM temos de ir muito para além deste sistema putrefacto

Mesmo com a importância crucial de derrotar este regime, está envolvido e em jogo algo muito mais profundo, a oportunidade de ser dado um passo de gigante em direção à VERDADEIRA emancipação da humanidade — uma revolução nos Estados Unidos. Os governantes deste sistema já não podem governar da antiga forma. E, em todo o caso, regressar a essa “antiga forma” significaria permanecermos num mundo que se precipita para uma catástrofe ecológica causada por este capitalismo-imperialismo... um mundo em que qualquer conflito tem o potencial para rapidamente se transformar numa guerra nuclear sobre quem irá controlar o mundo — mesmo que esse mundo seja incinerado no decorrer dessa guerra. Simplesmente restaurar este sistema, ainda que com um novo rosto, permitiria (e requereria) que fossem mantidos basicamente intactos a opressão racista do povo negro e de outras pessoas não-brancas, a opressão patriarcal das mulheres e das pessoas LGBT, o apoio ao terror genocida contra os povos do mundo, o ódio aos imigrantes e a ignorância e a crueldade multifacetadas em geral que envenenam esta sociedade.

Mas a rutura com a velha maneira de governar que temos descrito implica tanto um enorme perigo, como, ao mesmo tempo, abre igualmente uma enorme possibilidade positiva. Bob Avakian explicou as razões para isto logo em 2021:

À medida que esta situação se desenvolve, e que a classe dominante se torna cada vez mais incapaz de governar da antiga forma, a sociedade e a vida quotidiana das massas populares, de diferentes setores da sociedade, podem tornar-se cada vez mais perturbadas e caóticas, com frequentes “transtornos” à maneira “normal” como as coisas têm existido.

E à medida que a “maneira normal” como a sociedade tem sido governada deixe de conseguir manter a articulação das coisas — e a sociedade se desfaça cada vez mais —, isso pode sacudir a crença das pessoas de que “a maneira como sempre foram as coisas” é a única maneira como podem ser as coisas. Pode tornar as pessoas mais recetivas a questionarem — num sentido real pode forçar as pessoas a questionarem — a maneira como têm sido as coisas, e se isto tem de continuar a ser assim. E isso é muito mais provável acontecer se as forças revolucionárias estiverem na sociedade entre as pessoas que lançam uma luz sobre a realidade mais profunda do que está a acontecer, e por que razão, e explicando que DE FACTO HÁ uma alternativa a viver assim.

(De Este é um momento raro em que a revolução se torna mais possível — por que razão é assim, e como aproveitar esta oportunidade rara, inglês/castelhano)

Este questionamento está a acontecer neste momento em grande escala. Um exemplo primordial disto é o cartaz caseiro “É melhor sangrar na resistência do que apodrecer na obediência” num protesto em Los Angeles na última sexta-feira. Agora é o momento, e urgentemente, de responder ao seguinte desafio e apelo:

A todos que não podem suportar este mundo tal como ele está... que estão fartos e cansados de como tantas pessoas estão a ser tratadas como menos que seres humanos... que reconhecem que a suposta “liberdade e justiça para todos” é uma mentira cruel... que estão justamente enfurecidos por a injustiça e a desigualdade continuarem e continuarem, apesar das falsas promessas e das melífluas palavras de quem está no poder (ou de quem aspira ao poder)... a todos os que se angustiam perante o rumo que as coisas estão a tomar e com o facto de que agora ser-se jovem significa ver-se negado um futuro digno, ou mesmo qualquer futuro... a todos os que já sonharam com algo muito melhor, ou que se tenham interrogado sobre se isso é possível... a todos os que anseiam por um mundo sem opressão, exploração, pobreza e destruição ambiental... a todos os que tem coração para lutar por algo pelo qual realmente valha a pena lutar: Tens de fazer parte desta revolução.

Esta revolução não é só “uma boa ideia” — ela de facto é possível.

(De Uma declaração, um apelo a organizar agora para uma verdadeira revolução, inglês/castelhano)

Lê Bob Avakian.
Liga-te aos revcoms (comunistas revolucionários).
Há um planeta a salvar e um mundo a ganhar.

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